O desfralde da Olivia

Um livrinho que várias pessoas me indicaram mas não consegui comprar. Vou tentar de novo quando fizer o desfralde do Leonardo! (fonte da imagem: amazon.com.br)

Um livrinho que várias pessoas me indicaram mas não consegui comprar. Vou tentar de novo quando fizer o desfralde do Leonardo! (fonte da imagem: amazon.com.br)

Ta aí uma coisa que eu acho super perigosa: dicas sobre qualquer assunto que envolva a maternidade.

Primeiro porque as pessoas são únicas e os bebês também. Segundo porque dicas podem criar conflitos. Dicas geralmente vem com data para começar e acabar, gerando ansiedade e comparação, duas coisas muito perigosas e muito desnecessárias quando se é mãe.

Dicas para amamentar e desmamar, dicas para desfraldar, dicas para o primeiro dia na creche...e por aí vai. Eu trocaria as dicas por relatos de experiências. Para mim funcionam melhor, me parece ser outra coisa. Quando você lê uma história, contando como foi que a família passou por aquele processo, pode ser inspirador e muito mais saudável. Além da identificação e da certeza que você não está sozinha nesse mundo passando por algum momento difícil com seu filho. Parece menos imposição e mais conselho, mais conversa.

Baseado nisso é que eu compartilho aqui no blog minhas experiências. E é assim também que vou escrever esse texto, sobre como foi que Olivia parou de usar fralda. Vou chamar de desfralde espontâneo porque foi sem seguir nenhuma regra, nenhum horário, nenhum truque. Fui tentando perceber quando é que ela queria ir ao banheiro e bem devagar, deixando a fralda de lado e indo ao banheiro.

Consigo escrever sobre isso agora porque Olivia não usa mais fralda nem durante o dia nem a noite. Ela fez 4 anos em setembro e desde a época do aniversário acabamos o desfralde durante a noite.

O que mais ficou marcado para mim nesse processo foi que eu tive que me preparar tanto quanto ela. Você tem que estar disposta a acompanhar a criança nessa mudança, tem que ter paciência, não pode ter preguiça. Assim, nós tentamos o desfralde 2 vezes.

A primeira tentativa de desfralde

A primeira vez foi no verão de 2017 quando ela estava para fazer 3 anos. Pensei que essa época seria melhor para a primeira tentativa porque se usa menos roupa, não tem o frio do inverno europeu, então não tem problema ficar um tempinho molhada se for preciso e etc. Ela já me avisava quando fazia xixi e coco, e por isso foi uma ótima hora para começar a pensar em levá-la ao banheiro. Comprei um penico de plástico que ela nunca quis usar, a não ser para brincar. Tentei deixá-la de calcinha durante a manhã e mais ou menos de meia em meia hora colocá-la no tal penico. Durante essa tentativa de desfralde, ela nunca fez xixi no penico e aconteceram algumas vezes de fazer xixi no chão. Como ela ainda não estava acostumada com a idéia do banheiro, segurava e esperava colocar a fralda para fazer xixi e coco.

Entendi que não era a hora e ainda tinha um agravante. Estávamos nos mudando da Alemanha para a Holanda e com a mudança, viajávamos muito e tinha pouca rotina no dia a dia. Se ela não estava preparada, eu também não. Não tentei mais por causa disso e então decidi deixar para quando estivéssemos na casa nova.

Tentando pela segunda vez

Já em Amsterdam começamos de novo o desfralde e como eu sabia que o penico não tinha dado muito certo, comprei um redutor de vaso na Ikea, esse aqui. Ela já tinha usado um redutor desse na casa da minha irmã e funcionou, primeiro coco na privada! Hooray! Agora Olivia estava super animada em usar o banheiro igual o primo. O processo começou outra vez e foi bem mais longo do que imaginava!

Eu já tinha ouvido falar e lido sobre desfralde, claro. Isso me fez criar algumas falsas expectativas! Coisas do tipo: “como desfraldar em 3 dias”, “minha filha tem 2 anos e não usa mais fralda”, “contrate essa babá que ela tem uma fórmula mágica de desfralde”, “leia esse livro e desfralde seu filho sem traumas”. Foi por isso que eu disse no começo do texto como pode ser perigoso ir atrás de dicas sobre assuntos maternos. É claro que pode e eu sei que funciona para muitas pessoas, mas no meu caso, e nesse caso específico, foi melhor não seguir dica nenhuma e só observar como e quando a Olivia queria ir ao banheiro e não ter pressa nenhum com isso. Ela tinha quase 4 anos e ainda usava fralda. Acho que não é o mais comum, mas nenhum de nós, na família, se incomodava com isso, o que era mais importante.

Como ela gostou de usar o redutor de vaso, ela se sentia bem em sentar ali e estava confiante. Por causa disso, foi fácil fazer o desfralde durante o dia. Na verdade, pensei que seria melhor fazer o desfralde diurno e depois que estivesse pronto, faríamos o da noite. Com isso, à noite sempre tinha fralda. Basicamente foi assim: Olivia ficava sem fralda durante o dia, usando calcinha. Primeiro eu sempre a lembrava que tinha que ir ao banheiro. Depois de algumas semanas, ela já me pedia, sem que eu tivesse que falar o tempo todo. Com coco foi mais difícil, ela tinha medo. Então começou a fazer coco só à noite por causa da fralda. Eu tive que insistir, conversar e explicar mais. Inventei  até umas histórias de que o coco gostava de nadar e na fralda não tinha jeito, fizemos um calendário para riscar os dias que ela fazia coco na privada e pequenas surpresas de recompensa quando ela usava o banheiro para fazer o número 2.

Foi devagar. Um dia dava certo, dois dias não. Mas no tempo dela, tudo foi se ajeitando até que ela estava sem usar fralda durante o dia. Quando chegamos nesse ponto, achei que já era hora de tirar a fralda à noite.

Sem fralda à noite

Numa segunda feira, sem o cliché de que segunda é dia de começar projetos, fizemos a primeira tentativa. Olivia toma suco ou água antes de dormir e aí reduzi a quantidade de líquido antes de ir pra cama para ela não ter muita vontade de fazer xixi. Ela acorda sempre por volta de 2, 3 horas da madrugada. Levei para fazer xixi numa dessas acordadas e foi assim a semana toda, sem nenhum escape durante à noite. Mas eles aconteceram, Duas vezes para ser exata. Esses acidentes me fizeram lembrar de comprar protetor de colchão, para não molhar. Claro que depois que comprei nunca mais ela fez xixi na cama!

Hoje, que já tem mais de um mês do desfralde completo, ela não acorda todo dia para fazer xixi no meio da noite. Tem dias que sim, dias que não.

Enfim, sem fralda

Tirar a fralda é um coisa bem difícil, eu diria. Você tem que ter tempo e paciência e ao mesmo tempo a criança tem que estar pronta para isso. Para ser um processo não doloroso, precisa ser devagar. Antes de escrever esse texto, vi um vídeo que gostei muito, no canal Criar e Crescer do Dr. Daniel Becker, sobre desfralde. Vou colocar o vídeo aqui porque acho que pode ajudar.

Resumindo o vídeo, fiz algumas anotações enquanto assistia:

  • Respeitar o ritmo de cada criança e se cobrar e comparar menos. Ou nunca. Às vezes a criança tem medo ou não consegue sentar, se sente insegura.

  • A criança vai naturalmente começar o processo e nós pais temos que reconhecer os sinais. Ela vai começar a avisar que fez xixi ou coco e vai se sentir incomodada com isso. Leve ao banheiro no horário que ela está acostumada a fazer coco e xixi.

  • O redutor de vaso é mais higiênico, mais prático e aproxima mais da realidade. Um banquinho para apoiar os pés é fundamental porque ajuda no esforço de evacuação e dá mais segurança.

  • Incentivar de forma carinhosa e alegre. Incentivar pequenas conquistas.

  • Se for preciso volte para a fralda e respeite o tempo do seu filho.

Você já fez o desfralde do seu filho ou filha? Compartilhe sua experiência nos comentários. Contando sua história você pode ajudar alguém que esteja passando por essa situação!