Olivia me disse

Relato de parto | Como foi que o Leo nasceu na Alemanha

Vida de MãeOlivia me disse6 Comments
 Nosso primeiro contato  ❤ Sinto até hoje o calorzinho!

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Divagações ansiosas pré-parto

A Olivia nasceu de parto normal. Não tão normal assim: passaram-se 11 dias depois da data prevista pelo médico ginecologista que me acompanhou no pré-natal, e aqui na Alemanha é recomendado esperar até 10 dias depois dessa marca, então depois se faz a indução. No hospital, tomei o remédio e eu já sabia que ela ia nascer dali a pouco. Não foi naturalmente acontecendo e desenrolando    . 

Grávida do Leo, me atormentava o pensamento: como será que se desenrola o trabalho de parto? Como são as contrações, será que vou saber que já é hora, será que vai ser natural ou será induzido de novo?

-Eu não sei como é ter um parto normal! Falava aquela voz chata, todo dia, na minha cabeça. Não se engane: cada gravidez é única; engravide 10 vezes e terás 10 ansiedades diferentes, 10 medos diferentes, 10 dores diferentes! Estava eu novamente ansiosa e medrosa.

O meu pródromo | sinais antes do trabalho de parto

Na gravidez da Olivia não tive nenhum desses sinais. Não tive contrações leves, quiçá fortes. A bolsa não rompeu, o tampão não saiu. Não sentia n a d a, era como se eu estivesse eternamente grávida de uns 6 meses. E ela, dentro da barriga, feliz e satisfeita, 100% saudável.

Mas com o Leo não. Minha coluna doía, minha perna direita doía, embaixo da barriga doía, a cabeça doía todo dia. Comecei a ter leves contrações 2 semanas antes da data prevista. Não marcava tempo, eram muito irregulares. Depois vinham sempre entre 20 e 22 horas. Seria um sinal de que ele nasceria à noite? Sim! Nesse caso, foi.

Sábado à tarde as contrações foram bem fortes, 10, 15 minutos durante 2 horas seguidas. Foi a primeira vez que tive a verdadeira sensação de que poderia nascer a qualquer momento. (apesar de sabermos bem quando é a hora certa, ainda assim fiquei na dúvida) Mas passou e esqueci. 

O trabalho de parto

Terça fiz o jantar, comemos, arrumei a cozinha. Senti uma contração. Sentei. Depois de 10 minutos senti outra. E durante meia hora foi assim, de 10 em 10 minutos. Fui ao banheiro fazer xixi e senti que perdi líquido (a ansiedade é tanta que nessa hora não sei se era só muito xixi ou se era líquido amniótico, de tanto que eu queria um sinal palpável do início do trabalho de parto). As contrações continuaram e fui fazer xixi de novo. Percebi uma leve mancha de sangue na calcinha. Decidi que precisava ir para o hospital.

Eram 22 horas do dia 16/08. Troquei de roupa, peguei a pequena mala que fiz para a maternidade, avisei minha irmã, que estava dormindo com Olivia. As contrações já eram tão fortes que quando vinham eu precisava parar, segurar a barriga e esperar passar.

Me identifiquei na recepção do hospital (você precisa escolher onde vai ter o bebê e se "cadastrar" antes) e já desci para as salas de parto. Chegando lá, uma hebamme (parteira ou doula) me atendeu. Colhi uma amostra para exame de urina e fui para o aparelho que mede os batimentos cardíacos do bebê e as contrações. Nessa hora já estavam regulares entre 5, 7 minutos. Tão fortes que eu já demonstrava as dores sonoramente ;) . Depois de meia hora assim, fui examinada e ainda tinha pouca dilatação. Fui andar pelo hospital, parando de 5 em 5 minutos, agachando durante as contrações para aliviar a dor. 

Mais 20 horas se passaram. Mentira. Só meia.

São 5 salas de parto e uma sala com banheira. Nesse dia só tinha eu e mais uma mulher. Tranquilo, calmo e silencioso. Me ajudou, naquele turbilhão de pensamentos e naquela dor incrível que eu jurei não aguentar. Quando voltei, já fui direto para a sala onde o Leo ia nascer. Deitei na cama, sempre monitorada pelo aparelho medindo contração e batimentos. O silêncio acabou. Eu gritei muito, e isso no meu caso era incontrolável, involuntário. Mais dores, mais gritos. Eu sou do time das barulhentas!

A hebamme vinha me acalmar e dizer que eu estava indo bem, que logo ele nasceria. Já eram quase meia noite. Os papéis requerendo anestesia já estavam assinados e eu pedi por ela. Mas a parteira relutante, me troxe um analgésico que não me tapeou. Fui para a banheira já com 6 cm de dilatação. A água quente realmente desvia a atenção e você acha que alivia a dor. É um bom meio de enganar, foi melhor que o remédio. Depois de quase 1 hora nessa imersão, a hebamme estourou a bolsa para acelerar o parto. Ia acontecer na água! Trouxeram os aparelhos e prepararam a sala. Quando já era hora, eu senti a pressão para nascer, ela achou melhor que eu retornasse ao quarto porque os aparelhos sem fio não estavam sendo precisos. Entre uma contração e outra, coisa de 1 ou 2 minutos, já sem força, eu levantei da banheira e atravessei até a sala, enrolada num lençol. 

Subi na cama e junto com uma contração fortíssima fiz a primeira força. Eu olhava no olho da hebamme, gritava que não estava conseguindo mais, que não aguentava a dor (sim, num alemão precário, mas não é que gestos falam mais que mil palavras fluentes?) e ela tão calma quanto eu precisava, me dizia:

- Você está indo bem, já vai acabar!

Eu acreditei. Fiz mais uma força. 

Ela pegou minhas mãos, passou óleo e fez para que eu puxasse o Leo. Com a minha mão, já senti a cabecinha do bebê! Às 2:56 da manhã ele nasceu! Ficou ali na cama, entre minhas pernas enquanto esperava para cortar o cordão. 

-Quer cortar? 

-Ja! (sim em alemão :D)

Cortei o cordão e peguei aquele serumaninho quente e molhado. Enrolado numa toalha, ele ficou mais de uma hora no meu colo, mamando e chorando. Só depois disso ele foi medido, pesado e vestido. 

Agora sim eu sei como é ter um parto normal, natural, humanizado. 

 Eu, o Leo e a Hebamme Heike  ❤ Nem dá para acreditar que foi a primeira vez que a vi e provavelmente nunca mais verei...

Eu, o Leo e a Hebamme Heike ❤ Nem dá para acreditar que foi a primeira vez que a vi e provavelmente nunca mais verei...