Olivia me disse

Sobre ir para o Brasil sozinha com dois bebês

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Sabe a frase: "não sabendo que era impossível, foi lá e fez"? Eu sou a prova viva de que é a pura verdade!

Exatamente no dia 9 de dezembro de 2016, eu, Olivia de 2 anos e Lio de 3 meses, embarcamos para o Brasil. Era planejado que o Max fosse com a gente, mas por alguns contratempos decidimos que eu iria sozinha. Sempre viajamos e  eu já tinha ido para Londres sozinha com a Olivia, então não vi problema nenhum fazer essa viagem. 

Conversamos e decidimos. Compramos os bilhetes para um vôo noturno, assim as crianças dormem e é menos trabalhoso. E em meia hora: booom! Todas as dúvidas e medos e incertezas, que não existiam, apareceram. Corri para um grupo querido no facebook, de mães na Alemanha, e lasquei a pergunta:

Quem aqui já foi para o Brasil, sem ajuda, com os filhos? Dicas, conselhos, COMO SOBREVIVER?

E as meninas, tão carinhosas, deixaram centenas de mensagens me encorajando. É por isso que vou escrever esse post. Demorou demais, mas saiu. É para agradecer quem me ajudou e para dizer para todo mundo: é quase impossível, mas dá para fazer! Vamos lá:

Considerações físicas:

Fiz uma única compra para me ajudar na viagem: o carrinho que vira um quadradinho chamado gb Pockit. Paguei 169 euros na amazon alemã e já gastei cada centavo dele. Foi tão útil, mas tão útil, que eu não sei explicar. A Olivia já anda, claro, mas é preciso agilidade nos aeroportos, é preciso controle sobre as crianças, é preciso um carrinho para pendurar tudo e mais alguma coisa que a gente insiste em levar. Escolha um carrinho pequeno, leve, que dobre facilmente e que você possa manusear sabendo que vai ter só uma mão para isso. Eu escolhi esse porque eu sabia que ele podia entrar comigo dentro do avião e constatei mais uma brilhante função: ele cabe entre as poltronas, ou seja, a Olivia só desceu do carrinho para sentar na cadeira dela. 

Dito isso, eu me equipei assim:

me vesti o mais confortável possível: calça de moletom preta, camiseta para amamentar (eu amamentava o Lio), blusa de manga comprida branca, cardigan aberto, tênis que eu conseguia descalçar e calçar sem desamarrar nem ter que abaixar. Nada de cinto, bijuteria ou qualquer outra coisa que eu precisasse tirar e colocar de novo na hora do raio x. Lembre-se: menos é muito mais nessa hora!

Nas costas levei uma mochila com itens básicos que eu uso no dia a dia: 2 fraldas para cada (na época eles usavam fraldas de tamanhos diferentes), lenço umedecido, pomada para assadura, fralda de pano, uma troca de roupa para cada, 1 livrinho fino e 1 brinquedo pequeno, lip balm, creme para as mãos e uma pasta com documentos. 

O Lio foi na minha frente, no canguru que eu usei desde que a Olivia nasceu, da marca Stokke. Ele já estava acostumado a ser carregado, então não foi novidade e se comportou. Acho melhor dar umas voltinhas antes da viagem com seu filho, se for o caso de usar canguru/sling e o bebê não for acostumado em ser carregado assim.

A Olivia foi no carrinho segurando a mochilinha dela e lá dentro coloquei: 1 pacote de biscoito que ela gosta, 1 pacote de chocolate, 1 livro de colorir, 2 lápis de cor, 1 livro com adesivos. Adesivos são uma ótima distração e não ocupam espaço! Eu tinha as duas mãos livres para empurrar. Peraí, eu não tinhas as duas mãos livres. Eu cometi o erro de levar uma mala de mão, que eu encaixei na alça do carrinho e fui empurrando junto. Na mala tinha trocas de roupa de calor (saí de Nuremberg no inverno e no Brasil era verão), mais fraldas, meu notebook (porque meu deus, porque?), recarregadores, uma blusa extra para mim, brinquedo e livro extra, várias coisas extras que eu não usei. Eu não abri essa mala, ou seja, na volta eu não trouxe, me recomendaram não levar e eu estou recomendando que você não leve!

Eu ainda levei uma bolsa bem pequena atravessada no corpo, onde eu coloquei os passaportes, tickets, dinheiro e meu celular, para evitar tirar a mochila das costas. 

Eu ensaiei isso em casa umas 3 vezes. Coloquei o Lio no canguru, a mochila nas costas, Olivia no carrinho e peguei a mala. Dei umas voltas na sala, tirei a Olivia e desmontei o carrinho vestida de Lio e mochila, imaginei todas as situações. Foi ótimo, faça também! Porque na hora do raio x você vai ter que tirar TUDO e colocar de novo. É bom já ter feito uma vez antes, o medo diminui.

Considerações psicológicas:

Pense em todas as possibilidades de alguma coisa dar errado. Pense nas soluções desses problemas. Coloque as soluções dentro da mala. hahaha. Seria bom se fosse fácil assim.

Ligue antes para a companhia aérea ou para o aeroporto e pergunte sobre todas as possibilidades de ajuda que você pode ter. Pagas e gratuitas. Existem serviços que você nunca imaginou. Por exemplo, por 80 euros um funcionário do aeroporto de Frankfurt me acompanharia até a porta do avião. Com todas as minhas malas e crias. Eu não contratei, mas foi bom saber que existe!

Descanse um dia antes. Eu não preguei o olho por um minuto durante o vôo. Fiquei vigiando os meninos, ansiosa com a viagem, com a chegada, com tudo. Tentei dormir no dia da viagem, a tarde, antes do vôo para não ficar tão cansada. Funcionou. Também, a adrenalina é tão grande que o cansaço só vem depois.

Sempre tem alguém que ajuda. As pessoas ficam comovidas de te ver sozinha com dois bebês, e se oferecem para carregar uma mala, para segurar a porta, te cedem lugar. Eu sempre tenho muita sorte, muita mesmo. Um comissário de bordo me ajudou muito, olhou o Lio para eu ir ao banheiro, trouxe lápis e livro para a Olivia, trouxe a comida deles primeiro. Sempre checava se eu precisa de alguma coisa. Fui de Lufthansa. Eles tem um atendimento muito bom, melhor cia aérea da minha vida. 

O que deu errado na minha viagem que pode te ajudar/assustar:

Foi tudo lindo, maravilhoso, como planejado. Not really.

Olivia jantou a comida de criança que eu pedi antecipado no check in online, Lio mamando e dormindo no berço que eu também pedi antes (é só ligar antes e perguntar sobre, funciona diferente dependendo da cia aérea, eu sempre consegui reservar). Consegui jantar porque eles já tinham comido. Até vi um filme! Descemos em São Paulo para fazer escala e consegui uma boa alma para me ajudar a pegar as malas e fazer check in de novo para BH. Esperando o avião para Belô, mais um anjo na minha vida: a Erika e seu filho me acompanharam até dentro do avião, e por coincidência ou destino, (maktub gente, já está tudo escrito!) eles estavam sentados do meu lado. Na outra poltrona, sentou outra pessoa que faria essa viagem mais agradável, a Amanda, que durante aquelas horas foi a segunda mãe da Olivia. Só vou conseguir agradecer a essas 3 pessoas quando tiver a oportunidade de fazer algo parecido para outra pessoa!

 Mas como rapadura é doce mas não é mole, ao sobrevoar o aeroporto de Confins, o comandante simplesmente anuncia que o vôo não está autorizado a pousar. E segue para o Rio. Sim, para a cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, último lugar que eu queria ir naquele momento. Eu estava a 24 horas fora de casa com dois bebês indo para o Rio de Janeiro. Minha família inteira estava me esperando em Confins, fazia 2 anos que eu não ia ao Brasil e eles não conheciam o Lio. SIm, pode chorar, porque foi o que fiz. Tive que desembarcar no Rio com mala e cuia e me virar. Bem vinda ao Brasil, Mara Desacostumada Coimbra. 

Então, a última dica: pode acontecer uma coisa que você não imaginou e não está preparada. Chora, desabafa, senta no chão. Mas terão pessoas passando pelo mesmo problema e isso gera empatia. E assim, você não estará sozinha. 

A minha solução foi: pegar um táxi, ir para um hotel e esperar meus pais, que foram de carro me buscar. Mas isso só foi possível depois de várias ligações entre minha família e meu marido. As outras pessoas do vôo teriam que esperar até o dia para continuar a viagem. Eu não quis arriscar. 

Mas na volta para a Alemanha, a recompensa: vôo cheio, ganhei um upgrade e eu queria morar dentro daquela business class da Lufthansa forever! 

Vocês já passaram por situações assim? Espero ter te encorajado a viajar sozinha com seus filhos, e não o contrário! Se você tiver alguma dúvida, quiser alguma ajuda, pode me escrever. Vou adorar conversar sobre o assunto!

 Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Olivia aproveitando o mar antes de seguir viagem!

Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Olivia aproveitando o mar antes de seguir viagem!