Olivia me disse

Capítulo 2 | Sobre os gritos da hora do parto

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A primeira vez que eu vi a cena de um parto, e me lembro, eu devia ter uns 8, 9 anos.

Estamos na casa de uma tia, no seu cômodo de costura, assisitindo Globo Repórter. A cena era como um filme de terror, tinha choro, sangue, gritos. Minha irmã mais nova chorou, disse que nunca teria filhos (hoje tem dois). Aquilo nunca mais me saiu da cabeça, aqueles gritos tão alto e sofridos. Eu sempre pensei e questionei: será que se grita tanto assim, mesmo? Minha mãe, que é expert no assunto pois teve 5 filhos, 4 de parto normal, teria a resposta certa e exata.

“Hum…não, não tem grito não. Dói, mas a gente aguenta”.

Achei aquela resposta vaga demais, e segui com minha eterna dúvida. Quando maior, já com vinte e poucos anos, fui assistir ao parto normal de uma prima, ansiosa por ter a questão dos gritos solucionada. Pena que não. Com anestesia, não se sente realmente a dor do parto e os gritos passam longe. Será quando é que eu saberia disso, gente? Se grita tanto mesmo quando se está parindo? Que medo eu tinha de ficar lá gritando sem fim, igual aos filmes da Sessão da Tarde, quando chegasse a minha hora de ganhar neném.

Ah! É isso! Quando eu tiver meu filho eu vou saber! Maktub, estava escrito! Tive a Olivia na Alemanha. Um país onde pessoas não sabem o que é cesária e nada é mais natural do que um parto normal. Então estava eu lá: deitada na sala de parto, sem um pingo de anestesia. E, até que enfim, quando minha filha veio ao mundo, puderam confirmar:

” Sim, você gritou. Muito”. Porque eu mesma não me lembro de nada disso.